20 setembro 2014

01 fevereiro 2014

Frei Betto: "Cura gay", modesta contribuição




 


30/07/2013 - 03h30

"Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la? O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados, mas integrados à sociedade. O problema não é ter essa tendência. Não! Devemos ser como irmãos. O problema é fazer lobby."

São palavras do papa Francisco ao deixar o Brasil, no voo entre Rio e Roma. A mensagem é esperançosa, mas, ao contrário do que o papa diz, o problema no Brasil é o lobby antigay, liderado pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Deputados que consideram a homossexualidade uma doença propõem a "cura gay". Querem alterar a resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede seus profissionais de tratar homossexuais como doentes. O que é um gay? Como diz a palavra inglesa, é uma pessoa alegre. Se os homossexuais são felizes, por que submetê-los à terapia?

Terapia é própria para obsessivos, como é o caso de quem odeia constatar que homossexual é uma pessoa feliz. Isto sim é doença: a homofobia, aliás, como toda fobia. E há inúmeras: desde a eleuterofobia, o medo da liberdade que, com certeza, caracteriza os fundamentalistas, até a malaxofobia, o medo de amar sobretudo quem de nós difere.

Sugiro aos deputados cortar o mal pela raiz: proibir a promíscua narrativa de "Branca de Neve e os Sete Anões", a relação pedófila entre o lobo mau e a Chapeuzinho Vermelho e, na Bíblia, o relato da íntima ligação entre Jônatas e Davi, aquele que "ele amava como a sua própria alma". (1 Livro de Samuel, 18).

Segundo censo do IBGE, há no Brasil 60 mil casais assumidamente gays. São pelo menos 120 mil pessoas que, em princípio, deveriam ser "submetidas a tratamento". Considerando que a Parada de Orgulho LGBT reúne, em São Paulo, cerca de 4 milhões de pessoas, haveria que construir uma clínica do tamanho de 50 Maracanãs para abrigar toda essa gente.

O processo terapêutico certamente teria início com uma sessão de exorcismo, já que, no fundo, a obsessão fundamentalista considera a homossexualidade muito mais coisa do demônio do que doença.
Outra sugestão é comprar um armário para cada gay e obrigá-lo a ficar lá dentro. Dizem os moralistas que qualquer um tem direito de ser gay, não deve é sair do armário.

Imagino que, terminado o processo de "cura gay", haverá uma grande Parada de Ex-Gays subindo a rampa da Câmara em Brasília para agradecer aos deputados que, iluminados, aprovaram a medida.
Ainda que todos os gays sejam confinados na clínica dos deputados, de uma coisa não poderão se queixar: será divertido contar ali com shows de Daniela Mercury e sir Elton Hercules John.

Saiba Feliciano que Alan Chambers, ex-presidente da associação Exodus International, destinada a curar gays, declarou em junho deste ano que também é gay, pediu perdão pelos sofrimentos causados a homossexuais e fechou a entidade.

À luz do Evangelho, o melhor é seguir o conselho de santo Agostinho: "Ama e faz o que quiseres." Ou, como diz Francisco, sejamos todos irmãos.


CARLOS ALBERTO LIBANIO CHRISTO, 68, o Frei Betto, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de "O que a Vida me Ensinou" (Saraiva).

24 janeiro 2014

FNE anuncia adiamento da Conae 2014 [24JAN2014]




Saiba mais clicando AQUI


06 maio 2013

10 abril 2013

"ADEUS ATENAS" - JÁ ENFRENTAMOS DE TUDO NESTE PAÍS, MAS A IGNORÂNCIA AINDA É UM LEGADO HISTÓRICO QUE NOS ASSOMBRA...


Importado dos extremismos norte-americanos, filhotes remanescentes dos puritanos, igrejas pentecostais têm se erigido de maneira aluscinante nos bairros periféricos de nossas cidades.  Alegando estar "salvando almas em nome de Deus", empreendem uma pavorosa coleta de donativos, descaradamente, de maneira brutal e violenta, quando nos referimos a Direitos Humanos e Justiça Social.

Eles ganharam muita força, estão envolvidos na política e, embora tenham tido uma breve recaída nas cadeiras do Congresso nas mais recentes eleições, agora avançam à moda mesmeriana monetarizando o que há tanto viemos buscando de mais elevado no ser humano: amor, honestidade, bom senso, respeito, moderação, esperança, coragem e simplicidade.

Ganham os incautos, roubam-lhes, lavam seus cérebros e agora, apontando aos gritos estar o diabo por todos os lados, enchem de medo os pobres coitados e os hipnotizam contra qualquer um que os contrarie, e eles vão...

O deputado federal, Pastor Marco Feliciano, da Igreja Assembléia de Deus, pelo seu partido PSC, foi eleito (pasmem!) a "Líder da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal do Brasil".

Demonizando gays e afro-descendentes, este canalha agora reúne as ovelhas incautas da nação para "defender a moral e os bons costumes da família brasileira".

Essa novela também já vimos.







"FÉ CEGA, FACA AMOLADA" - Milton Nascimento



Ajude assinando a petição, antes que a gente entre numa
guerra santa e novos Torquemadas nos ateiem fogo...

22 março 2013

12 fevereiro 2013


05 janeiro 2013

De onde vem a força do agronegócio? [20/11/2012]


Vídeo mostra de forma didática quem ganha e quem perde na estruturação e financiamento do agronegócio brasileiro. Baseado em análise de Regina Araujo, doutora em Geografia pela USP, e Paula Watson, também formada em geografia pela USP.

Ficha técnica - Roteiro: Paula Watson e Regina Araujo; Desenho e Animação: Paula Watson ; Montagem e Edição: Renata Watson ; Locução: Daniel Daibem.


Disponível em...
http://www.controversia.com.br/index.php?act=videos&id=569

03 janeiro 2013

NOSSA BANDEIRA: "AMOR, ORDEM E PROGRESSO"


CLIQUE NA BANDEIRA DO BRASIL
E VOTE PELA INSERÇÃO DO "AMOR"
ALÉM DE ORDEM E PROGRESSO.

14 novembro 2012

20 de novembro - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

"DIA DE TODAS AS CORES"

29 setembro 2012

Por que votar no candidato BILI para prefeito de São Vicente/SP em 2012?




O Bili é um pernambucano radicado em São Vicente na infância. Viveu na área continental e trabalhou na cidade desde cedo. Com isso, não tardou a se tornar um dos mais votados vereadores de São Vicente que, por 20 anos, pelo PSB do Ciro Gomes e da família Márcio França (ex-prefeito de São Vicente, ex-deputado federal, Secretário de Turismo nomeado para este governo Alkimin/PSDB, e que, depois de lançar seu sucessor à Prefeitura, Tércio Garcia por 2 mandatos e transformando seu jovem filho Caio em vereador, agora o lança também à Prefeitura), Bili foi também Secretário Municipal de Ação Social e Emprego por alguns meses.

Esta situação parece não ter sido produtiva, ou talvez, uma jogada política muito bem pensada: “Bili deixa a Secretaria; deixa o PSB e se filia ao PP dos turcos e se lança candidato à Prefeitura”.

Conversando com um seu cabo eleitoral há um mês, homem do interior de São Paulo, casado, advogado, de descendência japonesa, kardecista e ecumênico, defende Bili como uma alternativa viável para gerar renda (proposta de um parque industrial sustentável na nossa área continental) e, ao mesmo tempo, neutralizar as forças alinhadas ao tucanato paulista que na cidade está expressa pela família Márcio França e suas secretarias dominadas por cargos de confiança.

Sabemos todos que a cidade está dominada, que é um verdadeiro feudo ou curral eleitoral. A família Márcio França, natural da cidade, prevalece e convence o pobre e deseducado eleitorado vicentino que, na sua maioria, enche as praças da cidade com sub-empregos, quando não desistem e se somam a uma enorme gama de desocupados que perambulam pedindo esmola ou dormem pelas calçadas do centro e dos bairros.

Para neutralizar a oposição da situação, o PSB (que de socialista, hoje, não tem nada) conseguiu criar uma coligação para essas eleições que inclui PT e PTB, entre outros... Mas o Bili??? Do PP do Maluf???

Parece não nos haver alternativa. Se queremos dar novos rumos à cidade, precisamos arriscar no Bili, com todo o radical e possivelmente intolerante petencostismo que o acompanha, filiado, de última hora, ao PP do Maluf.

Convém lembrar que, em 2012, quando lecionei no Humaitá (área continental da cidade), conseguia contar, no trajeto de ônibus naquele bairro, pelo menos, de 15 a 17 igrejas evangélicas. Não vejo mal nisso, pois a liberdade religiosa num Estado laico nos é garantida desde a Revolução Francesa, além do lado social nitidamente positivo da ação dessas igrejas em bairros periféricos de risco.

A questão que mais preocupa, é o avanço de uma possível intolerância tacanha, quando uma bancada evangélica de nível federal, sugere o “direito à cura do homossexualismo pelo SUS”; ou mesmo, quando nosso legislativo municipal, a mesma representação evangélica (que incluía o Bili à época), votou contra a instalação de uma estátua de Iemanjá na orla da nossa praia.

O já referido cabo eleitoral garantiu que “não seria possível compor uma equipe municipal de administração só com evangélicos. Que na realidade – e ele se diz prova disso – o que prevalece é uma diversidade de fato”.

Vou de Bili com todos os possíveis riscos político-ideológicos apresentados aqui, mas penso que seja, no momento, o melhor para mudar os rumos da história da cidade.

Não preciso acreditar piamente num cabo eleitoral que convence no argumento. É preciso que fique claro de que é a população que legitima o poder de seus representantes e que, se porventura essa equipe pisar na bola, garantimos que o jogo pode ficar bem feio.

Voto no Bili nesta eleição de 2012 e espero que todos nós ganhemos com isso. Mas que ele não esqueça que estamos de olho, e que se virar bagunça, se não houver respeito, nós é que daremos um jeito de mandá-lo para o olho da rua.


Santos, 29 de setembro de 2012.

Prof. Paulo Sergio Teixeira





Link para refletir sobre a dinastia Márcio França:

http://campodeassuncao.blogspot.com.br/2008/12/fim-do-eiarima-d-pra-acreditar.html#links

Página oficial do Bili 11. Tire suas conclusões:

http://www.bili11.com.br/


18 agosto 2012

Setor privado é essencial para a economia, diz Dilma

15/8/2012 - 14:02 - Por Redação, com Reuters - de Brasília



A presidenta Dilma Rousseff afirmou que o governo brasileiro continuará induzindo o desenvolvimento do país, com a busca da melhoria da infraestrutura, para reduzir o chamado custo Brasil, e reconheceu que o setor privado é essencial no processo de tornar a economia mais competitiva.

Governo lançou pacote de concessões de ferrovias e rodovias que prevê investimentos de R$ 133 bilhões.

- Vamos reforçar a capacidade do Estado de planejar, organizar a logística, e compartilharemos com o setor privado a execução dos investimentos e a prestação dos serviços – disse a Presidenta, após o anúncio, nesta quarta-feira, de um programa de concessões de rodovias e ferrovias, que envolve investimentos de 133 bilhões de reais.

- Meu governo reconhece as parcerias com o setor privado como essenciais à continuidade e aceleração do crescimento – acrescentou.

Para a presidenta, a criação de uma empresa de planejamento e logística, anunciada junto com o pacote, é “um passo fundamental” nessa etapa de investimentos na infraestrutura do país.

A Presidenta procurou fazer distinção entre o novo plano de concessões e as privatizações realizadas em governos passados, ressaltando que “nós aqui não estamos desfazendo um patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida”.

Em um momento de crescimento fraco da economia brasileira, a Presidenta finalizou dizendo que o país precisa de taxas de crescimento compatíveis com suas necessidades de distribuição de renda.


Comentário do autor do blog:

"Na era Reagan/Tatcher, pós Guerra Fria, onde o capitalismo se acentuou autoproclamando-se 'o grande vencedor', falava-se numa tal '3ª via'. A ideia até que soava bem, mas logo se mostrou como um grande golpe mundial das economias hegemônicas. A tal 3ª via era, na verdade, uma articulação que tirasse dos Estados - em especial, dos emergentes - a real autonomia na economia, transferindo, de maneira estratégica, todo o poder às grandes corporações multinacionais e órgãos financeiros, então sustentadores do grande projeto de domínio. Era a política do 'Estado mínimo'.

Seguiu-se em ritmo frenético uma década de ações e alinhamentos do dito 3º mundo com tais economias. Assistíamos tudo como se não houvesse mais retorno, e que a base das sociedades - que davam a sustentação a toda aquela estrutura (e que era a maioria) -, tinha perdido definitivamente o jogo. Aqui no Brasil, foi a década da investida neoliberal, ou a década de FHC. Depois veio o governo dos trabalhadores e, incrivelmente, conseguimos resgatar o antigo projeto democrático.

Agora, com essas medidas do governo Dilma, a mídia reacionária já está armada para confundir a opinião pública, defendendo uma pretensa 'traição' do governo dos trabalhadores que teve como uma de suas bandeiras o 'não ao entreguismo de FHC', que aliás, foi muito, mas muito diferente mesmo: 'foi entreguismo na real - privatizações a preço de banana, do qual, aquele dinheiro, ninguém mais viu'.

O que o governo dos trabalhadores está implementando neste momento é uma espécie de diversificação da economia, porque 'se dermos a economia à iniciativa privada, o trabalhador vira escravo; se dermos tudo ao Estado, vira bagunça'. Como dizia a Dra. Vera Bittencourt: 'nem tanto ao mar, nem tanto à terra'. Mas está tudo certo: 'trabalhador que é trabalhador mesmo, está acostumado a comer misto quente'."

Disponível em...
http://correiodobrasil.com.br/setor-privado-e-essencial-para-economia-diz-dilma/501577/

01 maio 2012

Vende-se a natureza [Amazônia: perigo iminente]


30/4/2012 12:45,  Por Frei Betto
Surge agora nova proposta: a venda de serviços ambientais

Às vésperas da Rio+20 é imprescindível denunciar a nova ofensiva do capitalismo neoliberal: a mercantilização da natureza. Já existe o mercado de carbono, estabelecido pelo Protocolo de Kyoto (1997). Ele determina que países desenvolvidos, principais poluidores, reduzam as emissões de gases de efeito estufa em 5,2%.

Reduzir o volume de veneno vomitado por aqueles países na atmosfera implica subtrair lucros. Assim, inventou-se o crédito de carbono. Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono. O país rico ou suas empresas, ao ultrapassar o limite de poluição permitida, compra o crédito do país pobre ou de suas empresas que ainda não atingiram seus respectivos limites de emissão de CO2 e, assim, fica autorizado a emitir gases de efeito estufa. O valor dessa permissão deve ser inferior à multa que o país rico pagaria, caso ultrapassasse seu limite de emissão de CO2.

Surge agora nova proposta: a venda de serviços ambientais. Leia-se: apropriação e mercantilização das florestas tropicais, florestas plantadas (semeadas pelo ser humano) e ecossistemas. Devido à crise financeira que afeta os países desenvolvidos, o capital busca novas fontes de lucro. Ao capital industrial (produção) e ao capital financeiro (especulação), soma-se agora o capital natural (apropriação da natureza), também conhecido por economia verde.

A diferença dos serviços ambientais é que não são prestados por uma pessoa ou empresa; são ofertados, gratuitamente, pela natureza: água, alimentos, plantas medicinais, carbono (sua absorção e armazenamento), minérios, madeira etc. A proposta é dar um basta a essa gratuidade. Na lógica capitalista, o valor de troca de um bem está acima de seu valor de uso. Portanto, tais bens naturais devem ter preços.

Os consumidores dos bens da natureza passariam a pagar, não apenas pela administração da “manufatura” do produto (como pagamos pela água que sai da torneira em casa), mas pelo próprio bem. Ocorre que a natureza não tem conta bancária para receber o dinheiro pago pelos serviços que presta. Os defensores dessa proposta afirmam que, portanto, alguém ou alguma instituição deve receber o pagamento – o dono da floresta ou do ecossistema.

A proposta não leva em conta as comunidades que vivem nas florestas. Uma moradora da comunidade de Katobo, floresta da República Democrática do Congo, relata:

“Na floresta, coletamos lenha, cultivamos alimentos e comemos. A floresta fornece tudo, legumes, todo tipo de animal, e isso nos permite viver bem. Por isso que somos muito felizes com nossa floresta, porque nos permite conseguir tudo que precisamos. Quando ouvimos que a floresta poderia estar em perigo, isso nos preocupa, porque nunca poderíamos viver fora da floresta. E se alguém nos dissesse para abandonar a floresta, ficaríamos com muita raiva, porque não podemos imaginar uma vida que não seja dentro ou perto da floresta. Quando plantamos alimentos, temos comida, temos agricultura e também caça, e as mulheres pegam siri e peixe nos rios. Temos diferentes tipos de legumes, e também plantas comestíveis da floresta, e frutas, e todo de tipo de coisa que comemos, que nos dá força e energia, proteínas, e tudo mais que precisamos.”

O comércio de serviços ambientais ignora essa visão dos povos da floresta. Trata-se de um novo mecanismo de mercado, pelo qual a natureza é quantificada em unidades comercializáveis.

Essa ideia, que soa como absurda, surgiu nos países industrializados do hemisfério Norte na década de 1970, quando houve a crise ambiental. Europa e EUA tomaram consciência de que os recursos naturais são limitados. A Terra não tem como ser ampliada. E está doente, contaminada e degradada.

Frente a isso, os ideólogos do capitalismo propuseram valorizar os recursos naturais para salvá-los. Calcularam o valor dos serviços ambientais entre US$ 16 e 54 trilhões (o PIB mundial, a soma de bens e serviços, totaliza atualmente US$ 62 trilhões). “Está na hora de reconhecer que a natureza é a maior empresa do mundo, trabalhando para beneficiar 100% da humanidade – e faz isso de graça”, afirmou Jean-Cristophe Vié, diretor do Programa de Espécies da IUCN, principal rede global pela conservação da natureza, financiada por governos, agências multilaterais e empresas multinacionais.

Em 1969, Garret Hardin publicou o artigo “A tragédia dos comuns” para justificar a necessidade de cercar a natureza, privatizá-la, e assim garantir sua preservação. Segundo o autor, o uso local e gratuito da natureza, como o faz uma tribo indígena, resulta em destruição (o que não corresponde à verdade). A única forma de preservá-la para o bem comum é torná-la administrável por quem possui competência – as grandes corporações empresariais. Eis a tese da economia verde.

Ora, sabemos como elas encaram a natureza: como mera produtora de ‘commodities’. Por isso, empresas estrangeiras compram, no Brasil, cada vez mais terras, o que significa uma desapropriação mercantil de nosso território.

Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais
Artigo publicado originalmente no portal Adital

Disponível em:

27 abril 2012

Parem estes fascínoras: "Cana na Amazônia e no Cerrado", os ruralistas não dão trégua...


27/04/2012 – Agricultura (Jornal Senado)

Divergências em debate sobre
plantio de cana na Amazônia e no Pantanal



Caldas, senador Gurgacz e Eberhard: país tem 72 milhões de hectares aptos à cultura, fora da área pretendida pelo projeto

Proposta de Flexa Ribeiro, que permite o plantio de cana-de-açúcar nos dois biomas, foi debatida ontem. Delcídio do Amaral advertiu para as barreiras que o produto poderá enfrentar no exterior

Waldemir Moka (PMDB-MS), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Sérgio Souza (PMDB-PR) e Ivo Cassol (PP-RO) querem a liberação do cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal. Os senadores devem solicitar ao governo o zoneamento agroecológico nesses biomas, para indicar áreas aptas à cultura.

Já Delcídio do Amaral (PT-MS) recomenda cautela e aponta o risco de a medida resultar em barreira ambiental ao etanol brasileiro.

Os parlamentares participaram de audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) para discutir o Projeto de Lei do Senado (PLS) 626/11, de Flexa Ribeiro, liberando áreas de Cerrado e de Campos Gerais na Amazônia Legal para o cultivo de cana. Hoje, o Decreto 6.961/09 define o zoneamento agroecológico da cana e exclui o plantio na Amazônia, no Pantanal e na bacia do Alto Paraguai.

Ao apresentar o zoneamento, Cid Jorge Caldas, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, informou que o estudo, de 2008, indicou a existência de 64 milhões de hectares aptos para a cultura no país, além de 8 milhões já cultivados à época.

Frente à disponibilidade de áreas fora da Amazônia e do Pantanal, Adalberto Eberhard, do Ministério do Meio Ambiente, considerou correta a restrição a esses biomas, contida no decreto. Ele sugeriu aos senadores a busca de mecanismos para valorização da biodiversidade brasileira, como forma de estímulo à preservação da vegetação nativa.

Com posição semelhante, Delcídio avaliou que o fim da restrição poderá reduzir os espaços de comercialização do açúcar e do etanol brasileiros no mercado internacional, por meio de barreiras sanitária e ambiental.

Ao defender o projeto, Flexa Ribeiro disse que o texto prevê o plantio apenas em terras já utilizadas, no Cerrado e nos Campos Gerais da Amazônia Legal.

— Não precisamos derrubar nenhuma árvore.

Sérgio Souza advertiu que hoje o Brasil precisa importar etanol e Waldemir Moka disse que os agricultores do Pantanal praticam formas sustentáveis de plantio.

ARGUMENTO DO AUTOR DO BLOG: Isso tudo é golpe.  Os senadores, que têm, acima de tudo, a função de defender os interesses da nação, não poderiam propor, em pleno ano da Rio+20, uma ideia tão absurda assim.

Plantar cana-de-açúcar no Cerrado e na Amazônia, privilegiaria apenas os grandes do agronegócio.  Mesmo com toda adequação científica que por ventura viesse a dar suporte nessas empresas, o Estado, hoje, não teria condições de fiscalizar tais empreendimentos.  Então, o que eles estão tentando convencer propondo legalidade, seria sim o aval consentido para o desmatamento desenfreado e sem retorno.  Não esqueçamos da Mata Atlântica, que nós do Sudeste vimos desaparecer às mínguas.  Não podemos nos dar ao luxo de confiar na ganância medieval dos ruralistas.

Provavelmente dirão os cidadãos do Norte e do Centro-Oeste: “E o que faremos para ganhar dinheiro”.  E nós diremos: “invistam em tecnologias verdes, extraiam das florestas sem agredi-la.  Não se enganem.  Pensem, e mãos à obra...  Boa sorte!”.

DISPONÍVEL EM...
http://www12.senado.gov.br/noticias/jornal/edicoes/2012/04/27/divergencias-em-debate-sobre-plantio-de-cana-na-amazonia-e-no-pantanal

24 março 2012

Três golpes internacionais recentes sobre o Brasil e a necessidade de assumir uma política ambiental consciente e sustentável


Nos últimos quase 50 anos, o Brasil sofreu uma série de golpes acionados e coordenados por um grupo internacional que se fortaleceu, se organizou, e que trabalha incessantemente para submeter o mundo a uma ordem controlada que garanta sua exclusividade.  Se repararmos bem, parece verdade que o que vemos é a constante tentativa de fortalecimento e avanço de atores, verdadeiramente “fascistas” em essência, que vêm se utilizando de novos meios para empreender seus golpes num crescente de novos aparatos, mas que, para todos os efeitos, é sempre aparentemente legal.  Identifico, em nossa história mais recente, três tentativas de golpe deste grupo:

1º golpe – em 1964, o “golpe militar” no Brasil vai se somar à política de truculência e controle dos governos Sul-Americanos pelos países centrais, ditos à época, imperialistas.  Tal intervenção tinha como pretexto a ameaça do avanço internacional comunista e um suposto plano de controle das ideologias libertárias, igualitárias e democráticas que significavam, dentro deste contexto, um grande perigo àquele projeto de controle.


Depois, seguiu-se no Brasil a chamada “década perdida” (década de 1980), em que nos esforçávamos por resgatar o controle civil legitimado por meio da representação política e, paralelamente a este esforço, uma lancinante labuta carregada de expectativas que mobilizou toda a população para o resgate econômico.

2º golpe, “o golpe neoliberal” – em meio a crises políticas, sociais e, especialmente, econômicas, o Brasil viu-se num singular esforço para equilibrar suas contas.  Aproveitando-se disso, um novo plano foi orquestrado pelos paquidermes de plantão, desta vez, com uma nova fase na humanidade alardeada com a surpresa da “globalização”.  Governos hegemônicos, sob o viés do capital internacional e suas normas financeiras, investiram grande empenho para impor aos submetidos “a lei do capital”, e que tinha por base a desculpa do antigo “laissez faire” como única forma de desenvolvimento possível; tentavam ludibriar os povos e seus governos com uma política econômica cruel, intimidadora e excludente.


Demorou um pouco, mas aí o povo brasileiro cresceu: tudo levava a crer que a proposta do partido da situação estava em dia com a “Hora do Brasil”.  Que ilusão!  A figura de então que mais inspirava confiança, apareceu como um “lobo em pele de cordeiro”.  Aconteceu, porém, que uma série de medidas vindas de cima para baixo, provindas da cúpula daquele governo, começou a despontar como um golpe de traição – ou “entreguismo”, como se costuma dizer – alinhado a grupos internacionais que se esforçavam para garantir sua hegemonia reduzindo a zero, se possível, a intervenção dos governos pobres nas suas próprias economias: era a “Política do Estado Mínimo”.  Foi por um fio...  Quase que o Brasil embarcou!

3º golpe, “o golpe verde” – este é o último da série, e está se iniciando precisamente agora.

Após o despertar do brasileiro, sucessivas vitórias estão sendo conquistadas em setores que nos deram muita dor de cabeça: o econômico, o político e o social.  E isso só foi possível através de um partido de trabalhadores legitimado pela maioria da população, que inclusive, aprendeu a perceber as insistentes tentativas de golpes políticos, articulados por setores específicos da sociedade, como alguns órgãos da mídia, a direita política e a justiça das impunidades.  Aliás, órgãos reacionários consolidados a partir do período da ditadura.

Depois de enfrentar tortura e bala no “golpe militar”, e depois de enfrentar o poder nefasto do capital internacional sob as estratégias da “ação neoliberal”, agora teremos que dizer NÃO aos “gananciosos predadores de terras” – os coronéis, os grandes latifundiários, os ruralistas.  Temos que convencê-los sobre o quanto é necessário saber administrar as riquezas naturais que dispomos, e que por hora, são limitadas.


Só que a única política que quer fazer a bancada ruralista representada no Congresso Nacional, é a política da “ganância”.  Com propostas como a das “mudanças no antigo Código Florestal” (que vem garantindo a preservação de nossas florestas); processos duvidosos de demarcação de terras indígenas (que querem tirar do Poder Executivo para direito exclusivo do Legislativo Nacional); reativação do Programa Nuclear Brasileiro (quando nossa matriz energética é a mais limpa do mundo, e quando o mundo adia tais empreendimentos depois de Chernobil e Fukushima); propostas de avanço da monocultura no Cerrado e na Amazônia (como propôs o senador Flexa Ribeiro-PSDB/PA, ao encaminhar projeto de “plantio de cana-de-açúcar na Amazônia”).  Com isso estão camuflando a política de interesse nacional por uma que desgasta o governo, põe em risco nossas riquezas naturais, confundem a opinião pública (se passando por “injustiçados” que só querem produzir riquezas para o Brasil e alimentos para o mundo), além de colocar em xeque nossa soberania.  Aliás, o 3º golpe internacional, ou o “golpe verde”, está fundamentado exatamente nisso.

Como se não bastasse este novo grande problema, aquele cidadão em que depositamos nossos votos no passado, e mesmo após vender quase todas nossas estatais durante o “golpe neoliberal”, reaparece com um especialista francês em palestra no coração da Amazônia para dizer que está preocupado com nossas florestas.  Outro golpe político.  (*Ver: “Fernando Henrique Cardoso e Villepin pedem que tema ambiental seja debatido em eleições  Disponível em... http://br.noticias.yahoo.com/fhc-villepin-pedem-tema-ambiental-seja-debatido-elei%C3%A7%C3%B5es-224315093.html). 

Se analisarmos detidamente os três processos golpistas, veremos que os maiores inimigos da humanidade, estão apoiados em lamentáveis desvalores do espírito humano, a saber: “egoísmo e ignorância”.  Egoísmo e ignorância daqueles que arquitetam estes golpes.  Egoísmo e ignorância daqueles que se acomodam e aceitam essas investidas.

Por fim, julgo necessário fazer aqui um adendo: “Os inimigos da humanidade já não são nações, ou instituições, mas elementos humanos desclassificáveis: pessoas baixas, sem caráter, ignorantes, gananciosas, inescrupulosas.  Esses inimigos estão infiltrados em todos os lugares: partidos políticos, grupos religiosos, cientistas, forças armadas, financistas, operários, magistrados...  Mas é fundamental reconhecer e ter ciência que pessoas de bem também se encontram em todos os lugares do mundo”.  Para ambos os tipos de pessoas, um trecho do dia em que “Pedro Malazartes” conversou com um professor:


“Professor, desse mundo a gente não leva nada, por que tanta preocupação?...”.  Então o professor ensinou: “Pedro, realmente é verdade que daqui não se leva nada, mas é verdade também que aqui se deixa toda a obra de uma vida.  O que é que você vai deixar para o mundo?”.



Paulo Sergio Teixeira [Santos, 24MAR2012]