20 Março 2012

Aziz Nacib Ab’Sáber e o Código Florestal


Enviado por Gustavo Belic Cherubine, 24/06/2010

Caros
Envio texto do Prof. Aziz Ab'Saber sobre o Código Florestal, com recomendações sobre competência ética e científica daqueles que propõem a fazer essa discussão. O documento foi protocolado na Câmara Federal, às lideranças e para leitura em plenário.
Um forte abraço
Carlos Bocuhy

PROAM-Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental

Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade

Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no “Código Florestal” tem que ser conduzido por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis. Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro. Favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais. Cidadãos de classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos. Não tem qualquer ética com a natureza. Não buscam encontrar modelos tecnico-cientificos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, , seja no Brasil Tropical Atlântico, ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias “ecologicamente auto-sustentadas” é uma mania de cientistas irrealistas.

Por muitas razoes, se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território. Remetemos essa idéia para Brasília, e recebemos em resposta que essa era uma idéia boa mas complexa e inoportuna (...). Entrementes, agora outras personalidades trabalham por mudanças estapafúrdias e arrasadoras no chamado Código Florestal. Razão pela qual ousamos criticar aqueles que insistem em argumentos genéricos e perigosos para o futuro do país. Sendo necessário, mais do que nunca, evitar que gente de outras terras sobretudo de países hegemônicos venha a dizer que fica comprovado que o Brasil não tem competência para dirigir a Amazônia (...). Ou seja, os revisores do atual Código Florestal não teriam competência para dirigir o seu todo territorial do Brasil. Que tristeza, gente minha.

O primeiro grande erro dos que no momento lideram a revisão do Código Florestal brasileiro – a favor de classes sociais privilegiadas – diz respeito à chamada estadualização dos fatos ecológicos de seu território especifico. Sem lembrar que as delicadíssimas questões referentes à progressividade do desmatamento exigem ações conjuntas dos órgãos federais específicos, em conjunto com órgãos estaduais similares, uma Policia Federal rural, e o Exercito Brasileiro. Tudo conectado ainda com autoridades municipais, que tem muito a aprender com um Código novo que envolve todos os macro-biomas do país, e os mini-biomas que os pontilham, com especial atenção para as faixas litorâneas, faixas de contato entre as áreas nucleares de cada domínio morfoclimatico e fitogeográfico do território. Para pessoas inteligentes, capazes de prever impactos, a diferentes tempos do futuro, fica claro que ao invés da “estadualização”, é absolutamente necessário focar para o zoneamento físico e ecológico de todos os domínios de natureza dos pais. A saber, as duas principais faixas de Florestas Tropicais Brasileiras: a zonal amazônica e a azonal das matas atlânticas o domínio dos cerrados, cerradoes e campestres: a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos: os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, alem de nosso litoral e o Pantanal Mato-grossense.

Seria preciso lembrar ao honrado relator Aldo Rabelo, que a meu ver é bastante neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia – que atualmente na Amazônia Brasileira predomina um verdadeiro exercito paralelo de fazendeiros que em sua área de atuação tem mais força do que governadores e prefeitos. O que se viu em Marabá, com a passagem das tropas de fazendeiros, passando pela Avenida da Transamazônica, deveria ser conhecido pelos congressistas de Brasília, e diferentes membros do executivo. De cada uma das fazendas regionais passava um grupo de cinqüenta a sessenta camaradas, tendo a frente em cavalos nobres, o dono da fazenda e sua esposa, e os filhos em cavalos lindos. E, os grupos iam passando separados entre si, por alguns minutos. E, alguém a pé, como se fosse um comandante, controlava a passagem da cavalgada dos fazendeiros. Ninguém da boa e importante cidade de Marabá saiu para observar a coluna amedrontadora dos fazendeiros. Somente dois bicicletistas meninos, deixaram as bicicletas na beira da calçada olhando silentes a passagem das tropas. Nenhum jornal do Pará, ou alhures, noticiou a ocorrência amedrontadora. Alguns de nós não pudemos atravessar a ponte para participar de um evento cultural.

Será certamente, apoiados por fatos como esse, que alguns proprietários de terras amazônicas deram sua mensagem, nos termos de que “a propriedade é minha e eu faço com ela o que eu quiser, como quiser e quando quiser”. Mas ninguém esclarece como conquistaram seus imensos espaços inicialmente florestados. Sendo que, alguns outros, vivendo em diferentes áreas do cetro-sul brasileiro, quando perguntados sobre como enriqueceram tanto, esclarecem que foi com os “seus negócios na Amazônia” (...). Ou sejam, através de loteamentos ilegais, venda de glebas para incautos em locais de difícil acesso, os quais ao fim de um certo tempo, são libertados para madeireiros contumazes. E, o fato mais infeliz é que ninguém procura novos conhecimentos para re-utilizar ter ras degradadas. Ou exigir dos governantes tecnologias adequadas para revitalizar os solos que perderam nutrientes e argilas, tornando-se dominadas por areias finas (siltizaçao).

Entre os muitos aspectos caóticos, derivados de alguns argumentos dos revisores do Código, destaca-se a frase que diz que se deve proteger a vegetação até sete metros e meio do rio. Uma redução de um fato que por si já estava muito errado, porém agora esta reduzido genericamente a quase nada em relação aos grandes rios do pais. Imagine-se que para o rio Amazonas, a exigência protetora fosse apenas sete metros, enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência. Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro. Na linguagem amazônica tradicional, o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais. Para eles, ali existem, em ordem crescente: igarapés, riozinhos, rios e parás. Uma última divisão lógica e pragmática, que é aceita por todos os que conhecem a realidade da rede fluvial amazônica.

Por desconhecer tais fatos os relatores da revisão aplicam o espaço de sete metros da beira de todos os cursos d’água fluviais sem mesmo ter ido lá para conhecer o fantástico mosaico de rios do território regional.

Mas o pior é que as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Fala-se em sete metros e meio das florestas beiradeiras (ripario-biomas), e, depois em preservação da vegetação de eventuais e distantes cimeiras. Não podendo imaginar quanto espaço fica liberado para qualquer tipo de ocupação do espaço. Lamentável em termos de planejamento regional, de espaços rurais e silvestres. Lamentável em termos de generalizações forçadas por grupos de interesse (ruralistas).

Já se poderia prever que um dia os interessados em terras amazônicas iriam pressionar de novo pela modificação do percentual a ser preservado em cada uma das propriedades de terras na Amazônia. O argumento simplista merece uma critica decisiva e radical. Para eles, se em regiões do centro-sul brasileiro a taxa de proteção interna da vegetação florestal é de 20%, porque na Amazônia a lei exige 80%. Mas ninguém tem a coragem de analisar o que aconteceu nos espaços ecológicos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, e Minas Gerais com o percentual de 20%. Nos planaltos interiores de São Paulo a somatória dos desmatamentos atingiu cenários de generalizada derruição. Nessas importantes áreas, dominadas por florestas e redutos de cerrados e campestres, somente o tombamento integrado da Serra do Mar, envolvendo as matas atlânticas, os solos e as aguadas da notável escarpa, foi capaz de resguardar os ecossistemas orográficos da acidentada região. O restante, nos “mares de morros”, colinas e várzeas do Médio Paraíba e do Planalto Paulistano, e pró-parte da Serra da Mantiqueira, sofreram uma derruição deplorável. É o que alguém no Brasil – falando de gente inteligente e bioética – não quer que se repita na Amazônia Brasileira, em um espaço de 4.200.000 km².

Os relatores do Código Florestal, falam em que as áreas muito desmatadas e degradadas poderiam ficar sujeitas a “(re)florestamento” por espécies homogêneas pensando em eucalipto e pinus. Uma prova de sua grande ignorância, pois não sabem a menor diferença entre reflorestamento e florestramento. Esse último,pretendido por eles, é um fato exclusivamente de interesse econômico empresarial, que infelizmente não pretende preservar biodiversidades. Sendo que, eles procuram desconhecer que para áreas muito degradadas, foi feito um plano de (re) organização dos espaços remanescentes, sob o enfoque de revigorar a economia de pequenos e médios proprietários: Projeto FLORAM. Os eucaliptologos perdem éticos quando alugam espaços por trinta anos, de incautos propr ietários, preferindo áreas dotadas ainda de solos tropicais férteis,do tipo dos oxissolos, e evitando as áreas degradadas de morros pelados reduzidas a trilhas de pisoteio, hipsométricas, semelhantes ao protótipo existente no Planalto do Alto Paraíba, em São Paulo. Ao arrendar terras de bisonhos proprietários, para uso em 30 anos, e sabendo que os donos da terra podem morrer quando se completar o prazo. Fato que cria um grande problema judicial para os herdeiros, sendo que ao fim de uma negociação as empresas cortam todas as árvores de eucaliptos ou pinos, deixando miríades de troncos no chão do espaço terrestre. Um cenário que impede a posterior reutilização das terras para atividades agrárias. Tudo isso deveria ser conhecido por aqueles que defendem ferozmente um Código Florestal liberalizante.

Por todas as razoes somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo,que conhecemos ha muito tempo, e de quem sempre esperávamos o melhor, no momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem que pensar na sua biografia, e , sendo político, tem que honrar a historia de seus partidos. Mormente,em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários.

Insistimos que em qualquer revisão do Código Florestal vigente, deve-se enfocar as diretrizes através das grandes regiões naturais do Brasil, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, tais como a Amazônia, e suas extensíssimas florestas tropicais, e o Nordeste Seco, com seus diferentes tipos de caatingas. Tratam-se de duas regiões opósitas em relação à fisionomia e à ecologia, assim como em face das suas condições socioambientais. Ao tomar partido pelos grandes domínios administrados técnica e cientificamente por órgãos do executivo federal, teríamos que conectar instituições específicas do governo brasileiro com instituições estaduais similares. Existem regiões como a Amazônia que envolve conexões com nove estados do Norte Brasil eiro. Em relação ao Brasil Tropical Atlântico os órgãos do Governo Federal – IBAMA, IPHAN, FUNAI e INCRA – teriam que manter conexões com os diversos setores similares dos governos estaduais de norte a sul do Brasil. E assim por diante.  

Enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico, fato observado por muitos críticos em diversos trabalhos e entrevistas.

Parece ser muito difícil para pessoas não iniciadas em cenários cartográficos perceber os efeitos de um desmatamento na Amazônia de até 80% das propriedades rurais silvestres. Em qualquer espaço do território amazônico, que vem sendo estabelecidas glebas com desmate de até 80%,haverá um mosaico caótico de áreas desmatadas e faixas inter-propriedades estreitas e mal preservadas. Nesse caso, as bordas dos restos de florestas, inter-glebas ficarao à mercê de corte de arvores dotadas de madeiras nobres. E além disso, a biodiversidade animal certamente será profundamente afetada.

Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de 500 a milhares de quilômetros quadrados, e dentro de cada parcela das glebas colocasse indicações de 20% correspondente às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em áreas de quarteirões implantados para venda de lotes de 50 a 100 hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente.

Aziz Nacib Ab’Sáber

São Paulo, 16 de junho de 2010

Dispinível em...

Nota
Aziz Nacib Ab'Sáber, pesquisador da USP e um dos maiores especialistas em geografia física do país, bem como uma voz ativa nos debates sobre biodiversidade e preservação ambiental, morreu na manhã desta sexta-feira (16/03/2012), às 10h20, em São Paulo. Ele tinha 87 anos.

09 Março 2012

Perdão milionário dos desmatadores "VETA DILMA"

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Prestes a ser votado na Câmara dos Deputados – última votação antes de cair nas mãos da presidente Dilma Rousseff –, o projeto do Código Florestal, se aprovado como está, pode levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal. Segundo o Jornal Folha de S. Paulo, em reportagem publicada nesta segunda-feira (5), 139 infrações superam essa quantia. Desse total, 103 serão suspensas com as novas regras, o que significa 75% de multas milionárias anistiadas. O valor total perdoado é de R$ 492 milhões, referentes à destruição de 333 mil hectares de floresta – o que equivale a duas cidades de São Paulo.

Pelo texto aprovado no Senado, serão perdoadas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, data em que entrou em vigor o decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. O valor da anistia chega a R$ 8,4 bilhões se forem contadas as multas de todos os valores. A maioria das infrações foi aplicada pelo Ibama entre 2006 e 2008. Nenhuma foi paga até hoje.

Somente os dez maiores desmatadores destruíram juntos 98 mil hectares e receberam multas no valor de R$ 166 milhões. O maior deles é Léo Andrade Gomes, do Pará. Ele derrubou 15 mil hectares de florestas, e sofreu infrações que somam R$ 32,2 milhões. O agricultor ainda nem chegou a ser encontrado pelo Ibama para receber a notificação. O ex-deputado federal Ernandes Amorim (PTB-RO) também está na lista das multas milionárias. Ele deve R$ 2,4 milhões por danos ambientais numa área de 1.600 hectares.

A proposta ruralista que anistia crimes ambientais criará precedentes que estimularão a exploração predatória das florestas. Se as infrações já não eram pagas, a situação irá piorar ainda mais. A anistia abre brechas inclusive para as multas que continuarem valendo. Auditores do Ibama, procuradores federais e cientistas, já assinalaram que isso irá atrasar ainda mais os processos administrativos e judiciais, além de sinalizar a impunidade, estimulando novos crimes.

O que resta à sociedade é exigir o cumprimento das promessas da presidente. Veta, Dilma.

DISPONÍVEL EM...



07 Março 2012

Manifestantes protestam contra novo Código Florestal

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Cerca de 1.100 pessoas de todas as partes do País e da América Latina ocuparam o gramado do Congresso na manhã de hoje pela campanha #MangueFazaDiferença; votação foi adiada para a próxima terça-feira



07 de Março de 2012 às 17:17
Agência Brasil - Um protesto contra a votação do novo Código Florestal reuniu, na manhã de hoje (7), cerca de 1.100 pessoas de todas as partes do país e da América Latina, no gramado em frente ao Congresso Nacional. A ação faz parte da campanha nacional #MangueFazaDiferença, que percorreu 35 praias do litoral brasileiro em defesa das florestas e da preservação das áreas ecológicas. A campanha, coordenada por uma coligação formada por 163 organizações não governamentais, escolheu Brasília para o encerramento da campanha.
Segundo o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, o movimento quer demonstrar que existe a preocupação de toda a sociedade em relação à votação do Código Florestal. “O que a gente quer mostrar é que esse 'papo' não é só de ambientalista e ruralista. Tem muito mais coisa quando se trata de política pública, de interesse nacional. O que a gente está vendo aqui hoje é uma reação àquilo que os ruralistas dizem que é um interesse do agronegócio”, disse.
Mantovani defende que o governo atue no ajuste de questões delicadas do código e que não ceda a pressões partidárias, permitindo que a base aliada vote um projeto de tal importância com tanta rapidez. “Nós queremos fazer com que todos tenham uma participação, que todos [os movimentos] sejam ouvidos. Não há essa urgência, essa pressa para votar aquilo que é de interesse daqueles que não querem pagar suas contas [...] que querem simplesmente continuar surfando em cima deste grande momento brasileiro, que é o agronegócio”, completou.
Para Rodrigo Joffily Bucar Nunes, empresário e militante do grupo Mangue Faz a Diferença, a participação das pessoas na passeata evidenciou o desgosto da maioria da população com relação à gestão do governo em certos assuntos. “Esse movimento mostra a posição da sociedade civil que não quer ver a coisa aprovada. Não adianta gerar mais alimento de forma insustentável acabando com recursos naturais, é andar pra trás. O que fica claro pra gente é que quem está lá dentro não respeita a gente [referindo-se ao Congresso]. Estamos aqui na porta dizendo que tem algo errado”, alertou.
O estudante de psicologia Renan Lucena saiu do Rio de Janeiro participar das atividades do movimento #VetaDilma, no gramado do Congresso, e disse que a votação do Código Florestal deveria ser uma preocupação nacional. “Esta é uma mobilização nacional, embora muita gente não dê muita bola para o que está rolando aí no Congresso, mas a questão das leis ambientais do nosso país é algo impactante.”
A votação da proposta do Código Florestal, marcada para ontem (6), na Câmara dos Deputados, foi adiada para a próxima terça-feira (13), em reunião de líderes da base aliada. De acordo com o líder do governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), a votação foi remarcada para que o relator, Paulo Piau, possa concluir o seu parecer sobre a pauta.
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05 Março 2012

Uruguai pedirá desculpas, e o Brasil? [04/03/2012]

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Enquanto no Brasil militares da Reserva, hoje óleos queimados da história, se insubordinam por saudosismo dos tempos da ditadura e receio da Comissão da Verdade, como bem já explicou Urariano Mota, no próximo dia 21 de março no Uruguai haverá um ato público na Assembleia Nacional em que o governo pedirá desculpas às vítimas da ditadura em vigor no país de 1973 a 1984 e que contava com o apoio de sucessivos governos    brasileiros comandados por generais de plantão.
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O ato foi convocado por exigência da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), adotada em fevereiro de 2011. A importante cerimônia contará com a participação do Presidente José Pepe Mujica, uma das vítimas da cruel ditadura, que esteve preso na condição de refém por mais de 10 anos. Refém significava isolamento e se a guerrilha tupamara voltasse a atuar o preso seria submetido a piores maus tratos e até era ameaçado de fuzilamento. 
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Também no dia 21, o Estado uruguaio indenizará em 500 mil dólares, quantia fixada em sentença, a família do poeta argentino Juan Gelman, cuja nora, María Claudia García Iruretagoyena, foi  assassinada, no contexto da Operação Condor, no Uruguai, e a neta  entregue para adoção a uma família de militares. Ela acabou sendo localizada e se empenhou no sentido de exigir que o Uruguai assumisse a responsabilidade pelo assassinato da mãe e do pai. 
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Estes governos ditatoriais tinham acordos e os seus sistemas de inteligência agiam em conjunto na caça de opositores, sejam contra os que optaram pela luta armada ou por outro tipo de contestação ao regime de força.
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Militares que assinaram o manifesto e que disseram não reconhecer Celso Amorim como Ministro da Defesa agiam em comum acordo com seus colegas torturadores do Cone Sul. E agora um deles cinicamente afirmou que entrará na Justiça por ter sido repreendido pelos comandantes militares e usa o argumento da “liberdade de expressão”. E vejam só, uma figura que tinha comando naquela época de trevas e censura vem falar de liberdade de expressão. É cinismo ou não é?     
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O que aconteceu com o filho e a nora de Juan Gelman não foi o único caso daqueles tempos hediondos que os signatários do manifesto têm saudades. Fatos dessa natureza não podem ser esquecidos, até porque os crimes praticados são de lesa humanidade e portanto imprescritíveis. Ficam no mesmo nível que os crimes cometidos por oficiais nazistas, muitos deles descobertos quando tinham mais de 80 anos. E nem por isso seguiram impunes.
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O Estado brasileiro também foi sentenciado pela Comissão de Direitos Humanos da OEA no sentido de apresentar os restos de combatentes da guerrilha do Araguaia, assassinados quando tinham sido capturados e não ofereciam resistência por estarem fora de combate. A Comissão também questionou a vigência da Lei da Anistia.
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A resposta brasileira não teve a grandeza do governo uruguaio. Para o Brasil está em vigor a Lei da Anistia, que absolveu de antemão quem nunca foi submetido a julgamento por violar diretos humanos. Uma lei que, por sinal, como indica pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), é desconhecida por 74% dos brasileiros. 
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Na verdade, não é de hoje que associados do Clube Militar têm se manifestado em defesa do ideário golpista de 1964 na base da odiosa linguagem da Guerra Fria. Na última “comemoração” do golpe apareceu até Sandra Cavalcanti, ex-secretária do governo Carlos Lacerda com o discurso que se imaginava varrido para o lixo da história.
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Na antevéspera da campanha eleitoral de 2010, dois jornalistas, Merval Pereira, de O Globo, e Reinaldo Azevedo,da revista Veja, compareceram e fizeram críticas do gênero golpista contra o então Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Foram aplaudidíssimos pelos presentes, apoiadores do golpe de 64. Merval e Azevedo volta e meia falam em suas colunas na democracia que defendem desde criancinha.
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Parece que esta gente não aprendeu nada nestes anos todos.
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Já na Argentina, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados convidou o Juiz Baltazar Garzon para prestar assessoria, reconhecendo assim a importância do magistrado espanhol que foi injustiçado em seu país pelo conservadorismo predominante no Poder Judiciário. Os parlamentares argentinos merecem todo aplauso pela iniciativa. 
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Comissão da Verdade faz sua primeira sessão em São Paulo

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Por Agência Estado - 01 de março de 2012 às 12:51
Sob a presidência de um ex-preso político, o deputado Adriano Diogo (PT), será realizada hoje na Assembleia Legislativa de São Paulo a primeira sessão da Comissão Estadual da Verdade. A sessão inaugural, com início previsto para as 19 horas, será dedicada a Rubens Paiva, deputado federal que teve o mandato cassado pela ditadura militar em 1964 e, desde 1971, faz parte da lista dos mortos e desaparecidos políticos.

O deputado também dará nome à comissão. Segundo Diogo, a escolha se deve a dois fatores. Em primeiro lugar, porque ele é paulista; em segundo, porque o foco dos trabalhos da comissão será a investigação de casos de mortos e desaparecidos por razões políticas nos anos do regime militar.

A comissão estadual foi criada por meio de acordo de líderes da Assembleia em dezembro. Ela começa a funcionar antes da Comissão Nacional da Verdade, aprovada em outubro, após ter sido discutida durante mais de dois anos no Congresso. A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei em novembro, mas até agora não nomeou os sete integrantes que, segundo a disposição legal, devem dar andamento aos trabalhos.

Inquietação

A demora do Palácio do Planalto começa a inquietar organizações da área de defesa dos direitos humanos. Entre elas encontra-se o Instituto Vladimir Herzog, de São Paulo.

“Achamos que a comissão deve começar a funcionar logo”, explicou Nemércio Nogueira, porta-voz do Instituto. “Não podemos esquecer que a lei prevê um prazo de funcionamento para a comissão, de dois anos. Quanto mais demorar a sua instalação, menos tempo haverá para a realização dos trabalhos.”

Em São Paulo, a comissão será composta por cinco parlamentares, sob a presidência de Diogo, que foi o autor do projeto de lei. O relator será o deputado André Soares (DEM), ligado a grupos evangélicos. Ele é filho do missionário Romildo Ribeiro Soares, principal líder da denominação religiosa Igreja Internacional da Graça de Deus.

Segundo informações de Diogo, representantes de familiares de mortos e desaparecidos deverão fazer parte da mesa de instalação da comissão hoje à noite. “Os três filhos de Rubens vão participar”, informou, referindo-se ao escritor Marcelo Rubens Paiva, à psicóloga Vera Paiva e à professora Maria Eliana.

Na sessão, que será pública, os integrantes da comissão também devem receber dos familiares parte dos documentos que acumularam sobre as histórias que serão analisadas. “Vamos instalar processos para investigar o paradeiro das pessoas e a forma como desapareceram”, disse Diogo.

DISPONÍVEL EM: http://brasil247.com/pt/247/poder/45186/Comissão-da-Verdade-faz-sua-primeira-sessão-em-SP.htm
 
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Dois momentos que não devem ser esquecidos: a "Ditadura militar" e o movimento pelas "Diretas Já"

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É necessário saber que tudo o que temos
e podemos hoje, é fruto de uma dura luta e
de um grandioso esforço de conscientização do
povo brasileiro.  Isso não é para ser esquecido.
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Certa vez eu ouvi uma palavra, nunca esqueço, que
falava daqueles anos de tortura e dos movimentos
que assistimos hoje em dia.  Era o seguinte...
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"Antigamente, a gente não podia nada, mas
fazia tudo o que tinha de ser feito.  Hoje, a gente
pode tudo, mas quase ninguém faz nada".
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28 Fevereiro 2012

ALGUNS DEGRAUS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

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Em 1932, um grupo de intelectuais brasileiros, ligados à educação e à cultura nacional, lançou o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, que só viria a ser amplamente divulgado, em 1945.
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Esta proposta se fez presente num período de franca modernização do Brasil; mudanças políticas, culturais, econômicas e sociais compunham o ar dinâmico e um tanto revolucionário da época.  Enquanto campo social em transformação, a educação tinha a preocupação de ir contra os métodos tradicionais de ensino e proporcionados apenas a uma pequena elite.
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Este grupo de intelectuais, dentre os quais se encontravam Anysio Teixeira e Fernando de Azevedo, tinha uma visão inovadora em prol da “EDUCAÇÃO PARA FORMAR UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA”, o que ainda parecia muito para uma sociedade que estava apenas engatinhando na modernização.
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Entre crises e progressos, veio o Estado Novo, a II Grande Guerra e o avanço gradativo das tendências socialistas no âmbito político nacional.  A elite dominante muito se incomodou com isso.
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Foi então que a ordem tradicional, num ato de desespero violento a fim de garantir o status quo vigente, empreendeu um duro golpe que tentou neutralizar as bases pensantes em nosso país: era o “Golpe Militar de 1964”.
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As propostas que visavam o avanço rumo a uma sociedade verdadeiramente democrática, de cidadãos conscientes e participantes, foram congeladas por mais de 20 anos, e o projeto do Manifesto dos Pioneiros, teve que esperar uma estação de ares mais propícios.
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Finalmente, com a abertura política ou o período de redemocratização, após as nuvens cinzentas dos “Anos de chumbo”, o próximo empenho seria efetivar uma nova Constituição, o que ocorreria em 1988.  Esta Carta Constitucional entraria para a História como a “Constituição Cidadã”.
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Mas sabemos – e hoje sabemos muito mais... -, que a Lei Maior de uma nação não é suficiente para resolver os problemas reais, concretos que a afligem.  Naquele momento, tudo estava por se refazer, mas o legado da ditadura ainda estava fortemente estampado nos campos econômico e social que se encontravam esfrangalhados.
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Seguiram os planos econômicos que se anunciavam milagrosos, um após o outro, mas nada funcionava.  Também, a troca compulsiva dos presidentes que não completavam um mandato inteiro: Tancredo Neves, José Sarney, Collor de Melo, Itamar Franco.  Definitivamente, o setor educacional, entre muitos outros, tinha que permanecer mais algum tempo na geladeira até que se fosse possível resgatar o antigo projeto.
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Então veio Fernando Henrique como presidente desenvolver o Plano Real, que lançou enquanto ainda ministro de Itamar.  Foi o início da reestruturação econômica.
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Até que, aparentemente, tudo caminhava bem, mas então o povo começou a desconfiar de certos acontecimentos, como, por exemplo, a campanha das privatizações das estatais.
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Na verdade, muitos estavam aptos a engolir as privatizações, afinal, o país precisava de dinheiro e a pessoa do “grande sociólogo”, acreditávamos, não seria passível de traição.  Só que de repente, começou-se muito a falar em globalização, em neoliberalismo e, mais do que palavras, o avanço rápido e notório de certas políticas externas para com o Brasil e América Latina em geral, e também, certas relações e posturas subalternas do então presidente FHC, fez arder o suor do trabalhador que resolveu arriscar no PT do Lula, aquele subversivo, agitador, panfleteiro...  Não é para menos: “tudo estava cheirando a um novo e  grande golpe internacional”.  Já tínhamos visto aquela novela e estávamos, por fim, vacinados.
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Na área da Educação, naqueles mandatos de Fernando Henrique, cinco foram as iniciativas marcantes que lançariam as bases para a continuidade e para o aperfeiçoamento das políticas educacionais do partido dos trabalhadores: a “Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional” (LDB/96); os “Parâmetros Curriculares Nacionais” (PCN’s); o “Provão”; o “Bolsa Família” e o “Plano Nacional de Educação” (2001-2010).
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Mas devemos ter em mente que todas estas medidas eram extensões reais do que fora estabelecido pela sociedade representada na Constituição de 88.  Medidas ainda fortemente influenciadas pela cúpula e pelas diretrizes ideológicas do partido da situação (PSDB); menos democrática do que na verdade deveria ser, portanto.
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No governo do partido dos trabalhadores, aquelas iniciativas foram ampliadas e mais bem desenvolvidas.  É certo que as políticas educacionais, a partir daí, tinham muito das prerrogativas do Manifesto dos Pioneiros, ora gradativamente resgatadas.
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Assim, o “Bolsa Família” passou a atingir mais pessoas, inclusive, elevando-as para além de um patamar de miséria.  Daquele “Provão”, uma série de índices foram implementados a fim de se mensurar a instrução dos brasileiros.  Hoje temos a “Prova Brasil”, o “Ideb”, o “Enem”, e já se fomenta uma avaliação periódica nacional dos professores, inclusive para substituir os concursos estaduais e municipais do país, muitas vezes, tão duvidosos.  A partir disso, a oferta de oportunidades, antigo anseio do Manifesto, aos poucos começa a se tornar realidade.
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O grande passo deste governo atual no setor educacional, ao meu ver, começou com a 1ª mobilização quase total dos profissionais da educação por meio do “CONAE” (28/março a 1º/abril/2010).  Daí resultou o novo “Plano Nacional de Educação” (2011-2020), que apresenta 20 metas bem claras a serem atingidas.
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O “piso nacional dos professores”, prevista na Constituição e no PNE/2001, se efetivou em 2009 e caminha a passos relativamente satisfatórios no intuito de se equiparar o salário dos licenciados à média nacional de outros profissionais de nível superior.
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Outras orientações do antigo Manifesto estão sendo colocadas em prática, mas a maior vitória, até agora, é ter-se alcançado uma sociedade muito mais democrática do que aquela dos anos sombrios da ditadura, ou mesmo, dos anos de modernização progressiva, ou ainda: da “década perdida” à “era do neoliberalismo”.
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Entendo que o que falta agora, quando muitos já estão conectados, é empreender um trabalho para formar cidadãos conscientes dos fatos, conscientes de si, críticos e, principalmente, com ânimo suficiente para se ver participante da sociedade, construtor ativo de sua história.  Ou seja: como buscava o Manifesto dos Pioneiros, de 32; a Constituição, de 88; a LDB, de 96 e os dois últimos Planos Nacionais de Educação, falta agora, após esta longa gestação, ensinar mesmo aquela tal “Cidadania”.  E não podemos ensinar cidadania sem que sejamos, de fato, cidadãos comprometidos:
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O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega como falsa a fórmula farisaica do “faça o que eu mando, não faça o que eu faço”. Quem pensa certo está cansado de saber que a palavra a que falta corporeidade do exemplo, pouco ou quase nada vale. Pensar certo é fazer certo. (FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa.  São Paulo: Paz e Terra, 1994)
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Paulo Sergio Teixeira [28FEV2012]
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2012 - OPERAÇÃO "RESPEITO AO PROFESSOR"

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26 Fevereiro 2012

PROFESSOR(A), SUGESTÃO DE LEITURA: "PARA ENTENDER A EDUCAÇÃO BRASILEIRA, ANTES E DEPOIS DA REDEMOCRATIZAÇÃO" - BÁRBARA FREITAG

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Bárbara Freitag, em sua tese de doutoramento em Política Educacional Brasileira de 1972, que resultou no seu excelente trabalho “Escola, Estado e Sociedade” -, nos propõe uma visão de superação da educação positivista, denunciando Durkheim e Parsons como defensores de uma sociedade que preserva as diferenças de classes em sua concepção.  Ela instiga, a partir daí, uma compreensão das políticas educacionais baseada nos princípios do “conflito” como forma de superação das diferenças sociais.  Assim, a Dra. Bárbara não entende como princípio essencial para a educação, uma base moral estática que mantenha os valores sociais na permanência, na reprodução de suas normas, mas defende que a escola tem um papel transformador e superador do status quo que determina a distância entre dominadores e dominados.
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De origem alemã, formada em meio aos remanescentes da Escola de Frankfurt, radicada no Brasil, seu argumento vai de encontro a um trabalho social de emancipação através de um contra-tradicionalismo, mas sem os dogmas e sem o radicalismo do marxismo ortodoxo.
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Em sua obra de referência, cita e compara Durkheim, Parsons (funcionalistas), Dewey (democrata, progressista), Gramsci (marxista), Passeron, Bourdieu (estruturalistas), Althusser, Poulantzas, Establet (marxistas estruturalistas), escolas reacionárias da economia da educação e seus críticos, entre outros.
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Considerando as diferentes posturas e ideias destes autores, a obra de Freitag torna-se uma referência fundamental ao entendimento de nossos processos histórico-pedagógicos, pois traz, a partir de novas interpretações e comparações, uma visão muito clara sobre as forças que delinearam as políticas da educação nacional até a efetivação deste seu trabalho (1980).
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A obra de Freitag nos serve bem para entender as políticas reacionárias de educação até o fim do período militar e nos permite, a partir daí, entender as novas propostas para o setor educacional estabelecidas na Constituição de 1988 e as políticas implementadas nos governos democráticos mais recentes. 
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Vale lembrar que as propostas que orientam os rumos atuais para com a educação brasileira, nasceu e foi fomentada já há quase um século, com o "Manifesto dos Pioneiros", de 1932.  Ali tudo começou, e apesar de tanto tempo, somente agora está sendo possível efetivar as políticas de educação nos moldes democráticos que sofreram tantos percalços.
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FREITAG, Bárbara.  Escola, Estado & Sociedade.  São Paulo: Moraes, 1980.
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Boa leitura!

25 Fevereiro 2012