12 julho 2015

O BRASIL E A CRISE DO DIA



A economia do Brasil esfriou?  Sim!!
mas o que realmente interessa é....... “Até quando?”





Assistimos nas cidades, nas ruas do centro, nos pequenos comércios de bairro...  “nunca havia visto um sábado à noite tão deserto aqui na cidade.  Da cachaça ao pãozinho, todos se perguntam: “O que aconteceu?...  cadê o dinheiro?’“.

Nossa geração que cresceu em meio às crises inflacionárias mais exorbitantes de toda história do Brasil, dadas durante os anos 1980, aprendemos pelo menos um pouquinho de economia.

Ao que percebo, no decorrer do 1º e do 2º mandatos do Lula, mais o 1º mandato da Dilma, o ministro Mântega conduziu a economia concedendo créditos à população; abaixou certos impostos que facilitaram aquisições como automóveis, imóveis e produtos mobiliários entre outros, a fim de facilitar as vendas e as compras.  Isso dinamizou a economia e produziu um fenômeno inédito: “a menor taxa de desemprego de nossa história, inclusive, inimaginável na economia neoliberal”.  E isso em meio a uma crise econômica mundial que só perdeu para a “Quebra da Bolsa de NY, em 1929” (ou seria mais uma tentativa de achacamento dos países pobres – e ricos em recursos... – pelas velhas elites conservadoras a que, de uma maneira ou de outra, todos do mundo globalizado se viam de algum modo de rabo preso?).

O fato é que países emergentes, principalmente os da América Latina e da Ásia, viram na crise uma oportunidade de se organizarem da forma menos brutal possível, o que espantosamente, está dando certo.  Nessa oportunidade, fomenta-se ainda por agora, uma nova agenda mundial para uma política econômica menos brutal do que aquela que o neoliberalismo, pela extremidade das grandes asas que ganhou, vinha impondo lamentavelmente a todo o mundo.  E isso talvez tenha se transformado num acordo que extrapola os interesses dos países pobres somente, porque as constantes derrocadas advindas daquele modelo excludente, passou a desmotivar também os países ricos, pois estes, ao tentarem por todos os meios apoiar e impor a agenda neoliberal como o melhor caminho, começaram a perceber que de fato os riscos e os efeitos nefastos desse modelo econômico, não servem mais.  Certa vez imaginei uma reunião entre republicanos e democratas discutindo os rumos do mundo, e os primeiros ainda falavam dos abomináveis comunistas.  Imaginei Obama, logo no 1º mandato, dizendo: “Vamos ouvir pelo menos o que eles têm a dizer”.

Divagações à parte e mais do que os ventos que sopraram a favor, como a presença de Obama e seus democratas, a repentina inédita do Papa Francisco, Hugo Chaves, Evo Morales, Cristina Kirchner, Pútin, o crescimento da China etc., tudo foi fundamental, mas percebo daqui, cá com meus botões, que o mais fundamental mesmo foi o nível da presença de espírito atingido pela maioria das sociedades do mundo, encontrando-se e conhecendo-se através das comunicações em tempo real por meio das redes sociais (imaginem quando a gente se comunicar por telepatia  rsrs).

Depois da posse da Dilma em seu 2º mandato, vieram novas ondas de tentativas políticas de abalar as estruturas que vieram dando certo até aqui.  Ataques políticos e econômicos orquestrados com a mídia alardeando desespero, violência e instabilidade, insegurança; ações políticas em todas as instâncias governamentais, envolvendo o que de mais vil viemos combatendo há séculos, especialmente emanados do Congresso Nacional; tudo isso me sugere uma tentativa só, e tão somente só, de criar confusão, embaçar a visão dos fatos, criar desespero, instaurar o caos.  Se teatro de política instigadora a nos provar ou “alma-pequena” mesmo, realmente não podemos deixar de reconhecer que nos últimos anos aprendemos muito e que estamos, em grande maioria, mais conscientes do que nunca.

A crise econômica hoje, afinal chegada ao Brasil tardiamente, veio com a marca perigosa do tal “dragão da inflação”, que nós que vivemos os anos 80, aprendemos a domá-lo e o enxergamos mais como uma mera lagartixa (que nos ajuda até, comendo moscas e baratas dentro de casa).

Pra quem não sabe ou não lembra, a receita é básica: dá-se crédito, o que significa dinheiro em circulação, portanto, economia aquecida.  Paradoxalmente (e quem já trabalhou no comércio reconhece isso facilmente), a economia aquecida no modelo capitalista gera naturalmente um fenômeno universal e profundamente técnico: “a porra do olho grande, da ganância sem limites”.  Assim, o pasteleiro, que vê seu pastel vendendo bem a R$ 2,50, resolve a curto prazo, ganhar mais e mais.  Então, em pouco tempo seu pastel de carne já estaria custando seus R$ 4,50 ou mais se puder.  Ora, o que acontece é que o valor real do dinheiro vai assim num crescente de desvalorização, e para saciar a fome do terrível dragão, o pasteleiro já não pode fazer nada a não ser aumentar seu pastel para poder pagar as contas ao menos.

Mas fique aqui bem claro que a culpa não é nem de longe só dos pasteleiros.  Há culpa também de quem paga caro pelo pastel, emiscuindo-se de sua responsabilidade econômica.  Por isso o dragão tem olhos grandes e uma enorme boca esfomeada, mas o corpo desse dragão está mesmo é na fome das fontes, que fornecem carne, soja, trigo, cebola, tomate etc.

Aí, você se esforça um pouco mais pra compreender; puxa daqui, puxa dali e vai buscando as fontes essenciais desse problema viruloso, e eis que percebe afinal que a culpa está num sistema financeiro mundial que se firmou e se tornou burocrático, escravizador e cruel.  E como se ver livre disso?  Não tem jeito, parceiro: “só encarando as dores da liberdade e da justiça comum”.  Se você prefere a escravidão, é um direito seu; se quiser ser livre: coragem – respeito é fundamental.  Há quem seja escravo por opção, para libertar os irmão.  Todo meu respeito! mas se aceitar-se escravo por comodismo, olha que os vampiros crescerão em você, sem dó nem piedade.

Mas e se resolver-se não pagar as contas?  Acaba a casa, a comida, o abrigo, roupas, conforto – acaba tudo!  E é isso que cria medo, expectativa negativa, pânico; exatamente o que alimenta esse tal sistema financeiro caduco, esclerosado e desumano.  O mesmo sistema que desenvolveu os braços da mídia e se especializou em conduzir o pavor das pessoas.  Lembra do programa “Aqui e Agora”?  Foi o 1º de uma série de programas horrorosos do gênero, e que muitos de nós ainda vêem sentido em assistir por achar aquilo sensato, normal, comum porque todo mundo vê...  Programas com o objetivo de dilatar o espetáculo da violência, com balas e jatos de sangue sub-urbano escorrendo pela tela da TV.......  Mais do que mal gosto e má intenção de quem projeta esses programas, é o que expressa mesmo o nosso lado mais monstrengo, que tem coragem de apreciar essas merdas.......

Sabendo de tudo isso e mais um pouco, o governo brasileiro retirou acertadamente a maior parte do dinheiro de circulação e não haverá alternativa a não ser o recuo dos preços, desde o pasteleiro até as fontes, inclusive dos chupins agiotas travestidos de gente de bem.  Tudo isso a fim de revalorizar, gradativamente, o valor de nossa moeda.  É uma queda de braço e não há o que fazer por hora, a não ser apertar o cinto, que o piloto tá de olho.  Vamos resistir!! – já é fácil de perceber o desespero dos velhos vampiros perdendo seus lacaios e não encontrando ninguém para colocar no lugar a fim de os sustentar........  Vai-te reto......  teu banco afundou!!

Além disso, assistimos ao empenho dos governos mundiais em buscar outra sistemática econômica, para que todos ganhem, pois verificamos que o velho modelo neoliberal não condiz mais com nossa dignidade.  Por isso mesmo reafirmo: “fomos provados e estamos sendo convidados a vencer, o que não seria possível em outros tempos e por outras gerações”.  Se o momento é de apertar os cintos, não esqueçamos que todas as nações do mundo, mesmo as mais ricas, passaram por muitos momentos iguais a este, e muitos outros piores.  A diferença é que eles têm suas próprias histórias, e nós, a nossa, que construímos de maneira mais consciente a cada instante. 

Disse-me nossa mãe, D. Nadir, ainda antes de morrer há quase 3 anos: “Crise vai e vem, sempre teve; passamos todas!”.  Coragem!! tamo junto, irmão marmiteiro......  é um prazer e uma honra fazer parte do time.


Santos/SP, 12 de julho de 2015.
Paulo S. Teixeira